segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

UM DIA NA PRESIDÊNCIA: 10 ANOS

Faz agora dez anos (caramba!...) que teve início uma das iniciativas de que tenho melhores recordações do quadriénio 2013/2017: o UM DIA NA PRESIDÊNCIA. De que se tratou? De levar comigo, um pouco por toda a parte, alunos do Ensino Secundário, explicando-lhes o que era a função de presidente da câmara. Participavam em tudo: preparação das reuniões de câmara, depois nas reuniões propriamente ditas, nas discussões de projetos, no despacho de correspondência, nas visitas a obras, etc. Democracia direta, se assim se pode dizer. Um trabalho em esforço, numa tentativa de fazer da função um momento de pedagogia junto dos mais novos. Dando-lhes atenção e fazendo deles protagonistas. Valeu a pena, valeu mesmo a pena!

E tudo começou quando um jovem me perguntou, na Escola Secundária de Moura "mas afinal, o que é que faz o Presidente da Câmara?". Fiquei embatucado, sem ser capaz de dar uma resposta clara e que (lhe) fizesse sentido. Ia explicar o quê? E como? Disse-lhe, honestamente, que ia pensar na resposta. Pedi-lhe o contacto. Ainda antes de chegar à Praça, já tinha a "solução". Não podia explicar, só poderia mostrar. No terreno. Assim se fez. Assim pus no terreno 34 jovens cidadãos.

Na fotografia, "explicando" o frenesim do meu quotidiano, num dia de janeiro de 2017:

domingo, 25 de janeiro de 2026

AO DESCONCERTO DO MUNDO

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Ao re(ouvir) o poema de Camões na sexta de manhã, no Panteão Nacional, notei a sua espantosa atualidade e pertinência. A cada dia que passa se tomba mais a balança. Manda quem pode...



quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O CRONISTA ANACRÓNICO









António Araújo escreveu uma crónica sobre um espião. Até aí, nada de novo. Mas depois resolveu inovar. E disse que o espião foi preso antes de ir para o outro lado da Cortina de Ferro. Cortina de Ferro? Em 1994??? Bois Yeltsin era o Presidente da Rússia. Ver muitos filmes do 007 dá nisto...

Aldrich Hazen Ames (1941-2026), a morte de um traidor
A detenção teve lugar na manhã de segunda-feira de 21 de Fevereiro de 1994, quando Ames se preparava para sair de casa rumo ao trabalho. No dia seguinte, estava previsto que viajasse até Moscovo, onde iria participar numa conferência, pelo que o FBI, não querendo correr o risco de que ele se escapulisse em definitivo para o outro lado da Cortina de Ferro, antecipou a sua prisão.

https://www.publico.pt/2026/01/18/mundo/noticia/aldrich-hazen-ames-19412026-morte-traidor-2160956

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

FRANCISCO SIMÕES (1946-2026)

"Já disse 37 vezes que é do Partido Comunista", comentou-me, ao ouvido, um amigo que assistia a uma palestra de Francisco Simões. Na qual ele recordava a amizade e a cumplicidade artística com um pintor, já falecido. "Exagerado... só disse isso quatro vezes", respondi-lhe.

No fim, apresentei-me a Francisco Simões. Conhecia e admirava a sua obra. Desafiei-o a passar pelo Panteão. Já não irá, com muita pena minha, embora tenhamos uma obra sua em exposição a partir de 5 de março.

Passo, com muita regularidade, pela estação de metro do Campo Pequeno. O grande protagonismo do sítio está nas obras de Francisco Simões. Vou recordar-me disso logo, ao fim da tarde.

domingo, 18 de janeiro de 2026

NÃO!

Lembram-se disto?

Eu lembro-me. Disputavam-se as eleições presidenciais de 2002, em França. Lionel Jospin tentava, pela segunda vez, chegar ao Eliseu. Falhou, de forma clamorosa. No dia 21 de abril de 2002, passavam à segunda volta Chirac e Le Pen. Foi esta a primeira página do Libération:

sábado, 17 de janeiro de 2026

CAN 2025

A final da CAN é amanhã e o Congo está fora de prova desde os oitavos de final. O título de 1974 (enquanto Zaire) já lá vai há muito.

Mas o que verdadeiramente me impressionou nesta campanha foi a extraordinária performance de um homem Michel Nkuka Mboladinga. Ele foi Lumumba. Como se lê no site da BBC:

He stood on a pedestal with his right arm raised - just like Lumumba's famous statue in DR Congo's capital, Kinshasa - as fans around him cheered.Michel Nkuka Mboladinga has supported the Democratic Republic of Congo by dressing up as the country's revered first leader Patrice Lumumba and remaining stock-still throughout every match.

He stood on a pedestal with his right arm raised - just like Lumumba's famous statue in DR Congo's capital, Kinshasa - as fans around him cheered.


Patrice Lumumba (1925-1961) foi um patriota congolês chacinado pelo imperialismo (Bélgica, Reino Unido, Estados Unidos, oh sim a democracia 😍 e os direitos humanos...), faz hoje 65 anos.

A sua memória permanece viva. Felizmente.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

JOSÉ VELOSO DE CASTRO

O primeiro "embate" deu-se, há meses, numa cerimónia na Direção de História e Cultura Militar. Estavam expostas algumas fantásticas imagens de alguém que desconhecia. Fiquei, sem razão, quase envergonhado por nunca ter ouvido falar de José Veloso de Castro (1869-1945). Um militar que foi um extraordinário fotógrafo, agora resgatado ao esquecimento pelo trabalho de investigação de Carlos Pedro Reigadas. Um verdadeiro acontecimento.

Um registo de dezenas de fotografias, que ainda pode ser visto, até final do mês, no Museu Militar de Lisboa.
















segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

MOURA EM 1510: OS DESENHOS DE DUARTE DARMAS

Sexta será dia de (mais um) regresso à pátria de origem. Desta vez para, na Taberna do Liberato, retomar um tema que me é caro: o das leituras do urbanismo antigo. O que é se pode reconhecer passados 500 anos? Que modificações houve? Que permanências se podem constatar?

E tudo isto em dois dos meus lugares de eleição: a Mouraria e a Taberna do Liberato. Um e outro são Património. 

sábado, 10 de janeiro de 2026

AINDA AQUI ESTOU

Ainda aqui estou... No blogue, no "exílio" lisboeta, em atividades diversas, na direção do monumento. A fotografia é de Daniel Rocha, para o "Público", e é da reportagem que Lucinda Canelas veio fazer ao Panteão Nacional, em 2021. Ainda aqui estou, quando às vezes me vaticinavam vida curta no Panteão. 4 anos e 9 meses cumpridos.

A maior parte da carreira já lá vai. Não me posso (nem quero, nem devo) queixar do percurso. Dentro de quatro anos passarei para outra fase.

De momento, termino o relatório de 2025 e preparo o ano de 2026: livros (cerca de uma dezena), exposições (seis ou sete, depende de que coisas que não controlo), concertos (doze, para já), produção de materiais para invisuais, conferências e colóquios. E mais umas cartas na manga.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A BOBINA ESQUECIDA

Promessa cumprida. Tinha dito a uma amiga que iria procurar a bobina original do filme sobre Moita Macedo, rodado em super-8. Corresponde ao projeto de montagem inicial (tem a pista de som - ver seta azul -, colocada pelo Centro de Cooperação Técnica), que foi depois retocado em 2013. Ao ver os primeiros frames, à transparência, à maneira antiga, dei-me conta que há material inédito de interesse documental. Há histórias que nunca acabam...



quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

COM ANTÓNIO FILIPE

Quando me perguntaram se estava disponível para ser mandatário do António Filipe a minha resposta foi curta e rápida “obviamente que sim”.

 

E porquê uma resposta tão pronta? Conheço-o há 40 anos. Isso só por si não justifica nada, claro. Mas conheço do António Filipe [e isso sim é importante] a sua atitude de grande seriedade e de grande decência, na vida política. Nos dias que correm, e em que a política parece muitas vezes um circo, isso não é coisa pouca. Mas há mais coisas que me levam a estar com o António Filipe nesta sua candidatura à Presidência da República. A sua reconhecida competência técnica. A sua preparação e domínio dos dossiês. A sua atitude responsável.

 

Hoje em dia, está muito na moda, dizer-se que políticos como o António Filipe estão ultrapassados. Que o que ele diz – e outras pessoas da sua [e da nossa] área política – está fora de moda. Que são coisas que já não interessam.

 

A minha discordância com essas perspetivas é completa.

 

E a minha concordância com os temas que o António Filipe tem trazido ao debate político é total. Quando o nosso candidato traz para o debate as questões em torno do trabalho, repito do trabalho, dificilmente poderemos dizer que é um tema ultrapassado.

 

Trazer para a primeira linha do debate político o tema da Saúde – como o António Filipe tem feito – não é falar de coisas fora de moda, pois não? Ao contrário, é falar-se de uma questão decisiva para todos nós. Tal como é essencial defender o Serviço Nacional de Saúde. Defendendo a responsabilidade do Estado no bem-estar das populações.

 

O António Filipe tem insistido muito no tema da habitação. Não me vão dizer / não nos vão dizer que isto também está fora de moda e que estamos ultrapassados. Cito o nosso candidato: “são questões socias fundamentais que não podem ficar de fora de nenhum debate político”.

 

O que o António Filipe tem feito com esta candidatura é elevar o nível do debate. O que ele tem feito é chamar a atenção para o mau estado em que estamos. E para a necessidade de se construírem novas e melhores soluções.

 

A candidatura do António Filipe tem sido uma verdadeira jornada cívica. Tem corrido todo o País, contactando os mais diferentes setores da Sociedade. Tem falado com empresas, com associações, com trabalhadores, com a Igreja, com os nossos emigrantes. Um exemplo de como as coisas devem ser feitas. Ouvindo, escutando, falando, explicando.

 

Um Presidente da República não é um provedor de justiça. Mas tem responsabilidades políticas e cívicas a que deve responder. Daí que, pessoalmente, valorize muito este método de trabalho que o António Filipe tem posto em prática. É preciso sair dos gabinetes e ir ao encontro das pessoas.

 

Daqui até dia 18 é uma viagem rápida. Como disse um conhecido jogador de futebol: “prognósticos só no fim do jogo”. Vamos em frente, com determinação, com entusiasmo, com determinação e sem cedências nas questões que são essenciais. Estou contigo, António Filipe. Estou eu. Estamos nós. E estarão muitos mais, para cumprir Abril.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

CRÓNICA DO TEMPO, EM VERSÃO FERROVIÁRIA

Em 14 de janeiro de 2011 (faz agora 15 anos) era anunciado que Beja iria perder a ligação direta a Lisboa. Nesse mesmo dia, o Grupo Parlamentar do PCP apresentou, na Assembleia da República, um Projeto de Resolução sobre a manutenção do serviço intercidades Beja-Lisboa-Beja. O documento foi rejeitado pelos votos contra do PS e as abstenções do PSD e CDS/PP. Os deputados Pita Ameixa e Conceição Casanova estavam no grupo que votou contra. Em fevereiro desse ano, o mesmo Pita Ameixa diria que "tem de haver um claro compromisso com a qualidade do serviço, com a qualidade dos equipamentos e com a modernização e eletrificação da infraestrutura ferroviária que, diretamente, serve e tem de continuar a servir Beja". Um discurso oco e sem vergonha, em politiquês vazio. A subserviência mais perfeita ao governo de turno.

 

Em 2014, e já com o PSD no Governo, mudavam as “perspetivas”. O presidente de então da concelhia de Beja do PS e mais tarde alcaide da cidade, Paulo Arsénio, pedia à REFER que insistisse "na eletrificação do troço de 64 quilómetros de via entre Casa Branca e Beja, dotando assim a capital do Baixo Alentejo de condições iguais a outras capitais de distrito", assim como uma melhoria substancial da qualidade do material circulante entre Beja e Casa Branca. E concluía, "o PS aguarda, a partir de agora, resposta das empresas em questão, na expectativa que, num curto espaço de tempo, os utentes da Linha do Alentejo possam retirar algum benefício das diligências que concretizámos". Até hoje, só expetativas e nada de benefícios.

 

Em novembro de 2017, dois políticos do PS, Pedro Marques (ministro do Planeamento) e Pedro do Carmo (deputado) diziam, sem se rirem, que voltaria a haver ligações diretas e que iria ser lançado concurso para a aquisição de composições que permitissem a ligação entre Lisboa e Beja. Nem concurso, nem compras, nem ligação direta. Nada.

 

Depois houve estudos, houve avanços e recuos. Foi posto dinheiro no Orçamento e tirado dinheiro do Orçamento do Estado. Era para ser em 2022, depois em 2024, depois fala-se em 2030. A linha do horizonte, em versão comboio. Prefiro não invocar as “obras de Santa Engrácia”, não vá mais alguma maldição cair em cima deste projeto.

 

Chegado a este ponto, só me dá vontade de dizer: “não façam pouco da gente”. Merecemos um pouco mais de respeito. Os políticos do PS e do PSD aqui da região, se não tiveram nada de concreto para dizer, ao menos estejam calados. Não resolvem nada, mas é mais decente.

Crónica em "A Planície".

sábado, 3 de janeiro de 2026

2025: EM REVISÃO

Escolhi doze momentos, quase só da área profissional, que foram os mais marcantes de 2025. Um ano razoavelmente sossegado, apesar de tudo.

8.1 - Honras de Panteão a Eça de Queiroz. Um dia solene, que marcou o final de um longo processo.










22.1 - Guerra Junqueiro. Inauguração da exposição sobre o gosto pela Arte, que o escritor cultivou.











23.1 - Nossa Senhora das Salas. Num mês já bastante cheio, ainda teve lugar mais uma inauguração. O esplendoroso Tesouro de Nossa Senhora das Salas ficou, durante vários meses, patente ao público no Coro Alto do monumento.











10.5 - Panteão Digital. Depois de vários ensaios, ficaram disponíveis em oito línguas os folhetos digitais - que podem ser descarregados através de um código QR - do Panteão. Uma aposta que permite economizar 170.000 folhetos por ano e umas centenas de árvores.





















25.5 - Vias do Garb. Apresentação, no Festival Islâmico de Mértola, de um pequeno ensaio (versões em português e em árabe) sobre os caminhos utilizados no período islâmico.










28.5 - Ana Benedita. Apresentação, primeiro na Feira do Livro de Moura, depois na de Lisboa, do trabalho de Ana Benedita sobre as mulheres do sul e o seu envolvimento no processo da Reforma Agrária.











19.6 - Gibraleón. A não-viagem do ano. Um passeio à antiga Jabal Uyun para se constatar que os monumentos da vila (quatro igrejas e o castelo) estavam todos encerrados ao público. Uma experiência a repetir em 2026.









2.7 - Cabo Verde. Convite para a sessão solene dos 50 anos da independência de Cabo Verde. Um momento especial.

















22.8 - Diário de Notícias. Entrevista, com grande destaque, sobre o Panteão Nacional.











21.9 - Coruche. Passeio a Coruche, para ver, no Museu Municipal, a exposição fotográfica de Fausto Giaccone. Um projeto do Panteão Nacional que regressou às origens.










30.10 - Dia dos Mortos. Muito rapidamente se montou, em colaboração com a Embaixada do México, um altar de homenagem a Amália Rodrigues e a Cantinflas. Um momento fora da caixa e de grande impacto.










4.11 - Entrevista. Um projeto de Luísa da Rocha Baptista sobre o pintor Moita Macedo. Coube-me explicar, numa longa conversa, a minha relação com o pintor e o processo de "fabrico" de um documentário, iniciado em finais de 1980 e terminado no verão de 2013.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

TRISSEMANÁRIO

Tal como "A Bola" de outros tempos - era um jornal extraordinário, hoje é apenas banal -, que era um trissemanário (segundas, quintas e sábados), também o blogue passará a ter esse ritmo. Porquê? Porque sim, o que é sempre uma excelente resposta. Outros tempos, outras prioridades. Nada mais simples.



quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

UM CONCERTO DIFERENTE, PARA COMEÇAR O ANO

Dia 4 de janeiro, às 18h.

Nem polkas, nem valsas, nem minuetos, nem marchas. Nem os Strauss, nem Joseph Lanner, nem Franz von Suppé.

O quê então? Kora e balafon, os sons da África Ocidental, com Kimi Djabaté e Iaia Galissa. Um começo diferente, a dar o tom.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

DE 25 EM 25 TERMINA O ANO...

O 51º aniversário do 25 de abril foi uma torrente popular.

O 50º aniversário da outra data foi uma praça vazia.

Está aí a diferença.



A MAIS COMPLETA INCOMPETÊNCIA

Ante públicas denúncias sobre o estado de ruína do Convento do Carmo, já começou a choradeira sobre as culpas do Poder Central (e esperem que ainda vai sobrar para a CDU e para 2017 e para mim e para sabe-se lá mais o quê...) e sobre a tristeza e a amargura etc.

Muito claramente, sobre esta matéria, recordo o que já escrevi e reafirmo:

Desde outubro de 2017, com o PS à frente da Câmara, o processo do Convento do Carmo tem sido um desvarioFoi desenvolvido um projeto para um hotel de cinco estrelas, que previa a construção de anexos e obras profundas no subsolo. Ao tomar conhecimento do projeto, pensei “isto vai dar problemas”. Porquê? Porque espaços ligados a conventos têm sempre cemitérios, normalmente com muitas centenas de corpos. Estes trabalhos arqueológicos são, por norma, demorados e caros. Antes de se avançar para um projeto desta dimensão conviria olhar o terreno, estudar as suas condições específicas, consultar os técnicos e só depois decidir. Fez-se o contrário.

A culpa não é da arqueologia nem dos arqueólogos. A culpa é de um executivo camarário (presidente e vereadores PS) sem preparação nem conhecimentos. A impreparação custa cara.


Depois de tantos anos envolvido na reabilitação urbana de Moura, tudo isto me causa uma pena imensa. Ainda por cima, com a convicção que com outra equipa à frente da Câmara teria havido trabalho e resultados. Tal como aconteceu no passado. Com menos folclore, menos Domingão, mas mais concretizações.


Portanto:

A culpa não é dos arqueólogos;

A culpa não é dos técnicos;

A culpa não é do Departamento Técnico;

A culpa não é do(s) governo(s);

A responsabilidade total deste imbróglio é da mais absoluta incompetência das equipas autárquicas do PS que, desde 2017, estão à frente do nosso concelho.


Um certeza. Com uma Câmara CDU (fosse o presidente o André, o José ou o Santiago) isto não aconteceria. Tenho provas do que digo. Ponto.



segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

TOMARA QUE CHOVA

"Atrás de nós os assentos de betão iam-se enchendo compactamente. à frente, para lá da trincheira, a areia da arena estava cilindrada a preceito, muito amarela. Parecia um pouco empapada pela chuva, mas estava seca ao sol e firme e lisa".

Este excerto, e as páginas que se lhe seguem, são, verdadeiramente, a parte de que gosto do "O sol nasce sempre" (1926), de E. Hemingway (1899-1961). O resto do livro soa-me bastante irritante.

Falámos de Hemingway ontem à noite, por causa dos touros, da boémia e de Cuba. Quando regressei a casa, com um novo guarda-chuva na mão, só pensei "tomara que chova".


domingo, 28 de dezembro de 2025

KEN LOACH SOBRE "THE OLD OAK" (e algo mais)

O extraordinário Ken Loach (n. 1936), o homem de quem Cannes gosta, dá uma entrevista onde explica e perspetiva coisas importantes. Aquilo, o seu derradeiro filme, podia ser cá.

sábado, 27 de dezembro de 2025

O LADO DE DENTRO

O cenário é "antigo". O google maps mostra esta casa assim, já em agosto de 2022. Eram 17:00 em ponto do dia 23 quando esta ruína, na Rua Capitão Leitão, na Parede, me chamou a atenção. Sempre tive um especial fascínio por casas abandonadas, por interiores-fachada-às-avessas e por sítios que outrora tiveram vida e foram sítios animados. E fica sempre a pergunta: "o que terá acontecido?". Já um dia visto, uma casa onde vivi.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

HUMOR NEGRO E BATAS BRANCAS

Pantanas é a palavra certa para definir o que se vive na Saúde. Algo vai muito mal num País em que as urgências são tema recorrente nas notícias. Cada dia há um coelho tirado da cartola: inteligência artificial, telecoisas, reformas e mais reformas, reprogramações, novidades no INEM, ambulâncias entregues aos privados, etc.

Soluções e progressos é que nem por isso... Valha-nos Claude Serre (1938-1998), que era genial.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

E AGORA... algo nunca visto...

Feliz Natal a todos os leitores do Salúquia, 34.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

QUASE NATAL

Ocasião para recordar esta obra de Diego Rivera (1886-1957).

Simbolismo, tradição e fé. Há obras (Rivera) e sítios (México) onde toda a criatividade é possível. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

A POESIA ATACA

No filme "Marte ataca" os extraterrestres explodiam quando ouviam música.

Parece que a poesia "faz mal" à Inteligência Artificial. A pessoa com pouca da natural sei que faz...

Mesmo que isto (cf. infra) não seja bem verdade é bonito de ler.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

O HOBBY DOGGING OU QUANDO EU ERA EUSÉBIO...

Aquela cena marada de andar a passear cãezinhos imaginários fez-me recuar a 1970 ou 1971. Tinha uns 7 anos e aprendera a ler relativamente depressa. A narrativas épicas do Jornal do Benfica (o primeiro jornal que li) levavam-se a recriar os jogos europeus numa partida a solo. Ou seja, eu era o Benfica e o Real Madrid em simultâneo. Ou seja, eu era 22 jogadores... E jogava sozinho, para trás e para a frente, em desarmes temerários, em passes infalíveis e em golos espetaculares, marcados por Eusébio.

Um dia, no meio de uma animada partida, reparei que os homens que carregavam o bagaço da azeitona, na Sociedade dos Azeites, riam daquele bailado solitário. Envergonhado, abandonei o terreno de jogo. Assim terminou, aos 7 anos, o que podia ter sido uma carreira promissora.

Ah, mas se me virem agora passear algum cãozinho imaginário ou fulminar Junquera com um indefensável remate, podem internar-me sff.



domingo, 21 de dezembro de 2025

OUÇA, 'TOU QUASE A SER DEFENESTRADO...

A conversa teve lugar há dias.

A senhora com quem falava manifestava o seu desapontamento. Não se revia em nenhum dos candidatos à Presidência da República. Embora, com o correr da conversa, tenha ficado com a ideia que ela tinha claras simpatias por um deles.

Disse-lhe, e acho mesmo!, que um deles tem perfil para ser Presidente. E que sou mandatário, no distrito de Beja, de um candidato. Olhou-me e perguntou "qual? Cotrim de Figueiredo?". Fiquei intrigado. Não tenho ar de "tio", não uso mocassins com berloques e o meu accent não é mesmo nada upper class. Desfiz o equívoco, explicando que é mesmo o António Filipe.

sábado, 20 de dezembro de 2025

UNITED COLORS OF PANTEÃO

Assim se encerra a programação de "um ano complexo". Foram dezenas de iniciativas (concertos, poesia, livros, exposições, lançamento de novos conteúdos...). Que remataram ontem à noite, com um concerto do Saint Dominic's Gospel Choir. Lotação esgotada para um grande momento musical.

A Lisboa Cultura decidiu propor-nos que o ciclo de concertos de Natal tivesse lugar no Panteao Nacional. Proposta aceite e ideia que suscitou entusiasmo na equipa. 


sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

A MÁQUINA DO MUNDO

Um momento extraordinário e uma das excelentes surpresas do ano. Na (creio que não muito  conhecida) Casa do Parlamento está uma exposição / instalação sonora de Daniel Schvetz. A Máquina do Mundo, Ptolomeu, Camões, sons gravados no cosmos pela NASA e as composições originais do próprio Daniel Schvetz, tudo devidamente enquadrado com um pouco de História da Ciência. Uma conceção originalíssima e de grande efeito.

À saída, e antes de entrar para o 773 e continuar o dia - que está a ser intenso - liguei ao Daniel para o felicitar e para lhe dizer "pois é, com a cúpula e os círculos e os sons, e Camões, isto tem mesmo de ir para o Panteao".

2026 começa a estar curto...

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO, FERNANDO ALEXANDRE

Ao ouvir, há pouco, o Ministro da Educação, lembrei-me de dois textos:

OS POBREZINHOS

Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria:

- Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da minha Teresinha.

O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente». No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, uma bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:

- Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.

Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto

(- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro)

de forma de deletéria e irresponsável. O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico

- Agora veja lá, não gaste tudo em vinho

o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:

- Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeu

Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros

- O que é que o menino quer, esta gente é assim

e eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.

Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse

- Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar

e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.

Na minha ideia o padre Cruz e a Saõzinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.

Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis".

Esta é uma genial crónica de António Lobo Antunes.

Mas há também ricos:
Foi uma noite adorável. Partiram o grand piano de Mr. Austen, esmagaram os charutos de Lord Rending na sua carpete, partiram as suas porcelanas, rasgaram os lençóis de Mr. Partridge, atiraram o Matisse para dentro de um jarro, de Mr. Sanders não tinham nada para partir a não ser as janelas, mas encontraram o original no qual ele tinha estado a trabalhar para o Newdigate Prize Poem, e divertiram-se muito com o facto de Sir Alastair Digby-Vaine-Trumpington se ter sentido mal com a excitação, e ter sido levado para a cama por Lumsden of Strathdrummond. Eram onze e meia. Em breve, a noite terminaria. Mas ainda haveria tempo para uma partida.

Este ambiente de festiva destruição não é de nenhuma residência universitária onde vivem "os mais desfavorecidos", a que, pitorescamente, se referiu o Ministro da Educação. Vale a pena ler o ambiente, dos meninos ricos em Oxford, bastante posh, descrito por Evelyn Waugh na sátira "Decline and fall" (a "tradução" é minha, por não ter à mão nenhum exemplar em língua portuguesa).

O livro é uma sátira, as declarações do senhor ministro são uma tragédia.

A DESCOBERTA

Esta obra de Kiluanji Kia Henda (n. 1979) data de 2007. Retomo-a na altura em que o tema Museu dos Descobrimentos volta a emergir. Mas não irá avançar, decerto. Nós, aqui na Lusitânia somos ótimos palrar e a debater mas muito menos ótimos a decidir...



segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

CASTANHAS AITEQUE

Foi ontem, às 17:17. Estava a sair da Estação de Santa Apolónia, em direção ao Panteão Nacional, para abrir a 5ª. temporada de "Música no Panteão". E dou de caras com esta inovadora promoção para a venda de castanhas assadas. Um tira colorida, com a mensagem a circular em permanencia. O vendedor esclareceu-me depois que tinha comprado aquilo "na loja dos chineses". Dentro de casa funcionava, ali, com a humidade, durava pouco tempo. Mas que chamava a atenção, lá isso chamava.

E as castanhas eram excelentes, isso sim.

domingo, 14 de dezembro de 2025

ANDRÉ CHENIER

Figura trágica da Revolução Francesa, André Chénier (1762–1794) foi imortalizado numa tela de Charles Louis Müller (1815–1892) e pela ópera, com o seu nome, de Umberto Giordano (1867–1948), composta em 1896.

Nunca tinha assistido a uma representação de Andrea Chénier. Aconteceu ontem. Com duas portentosas interpretações da búlgara Sonya Yoncheva e do polaco Piotr Beczała.